
O BE pode ter razão em muita coisa. O que não pode é arrogar-se o direito de entender que o conceito básico de família vai para além de pai, mãe e filho(s). Existem excepções a isto, claro, porque os afectos pesam sempre, e não são estáticos.
Mas daí a equiparar o conceito básico de família à união entre duas pessoas do mesmo sexo, e incluir nisto a possibilidade de essas pessoas poderem vir a ter ou vir a adoptar crianças, vai uma grande distância.
Porque é tudo uma questão de opção. Quem quer ser diferente, se-lo-à para o bem e para o mal. Para direitos e para deveres. Para as possibilidades e para as impossibilidades. Fá-lo porque não é igual aos demais, e nem o quer ser.
Como tal, tem de estar preparado para viver com as consequências. Pois quando alguém opta por se unir a outra pessoa do mesmo sexo, é mais que óbvio essas pessoas não esperarem vir a ter filhos, pois tal é uma impossibilidade física. Se os quisessem ter, teriam permanecido na mais normal das heterossexualidades, mesmo reprimidos.
E há coisas na vida em que não temos de ultrapassar a natureza, através dos avanços da ciência, só porque podemos. Pois se a natureza sempre as fez brancas ou pretas, por que raio havemos nós de as tornar cinzentas, só por termos tal hipótese?
Como seria dantes, quando não havia fertilização
in vitro e nem se falava em casamentos homossexuais? Eles e elas existiam, sempre existiram, embora envoltos numa maior obscuridade e secretismo, por motivos óbvios. E eram felizes nessa opção, concerteza que eram. E ninguém falava em ter filhos porque sabiam que tal era, pura e simplesmente, impossível.
O que era encarado com naturalidade então, deixou de o ser agora...
Porquê?